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Luar em qualquer cidade
 

O luar deixava as coisas mais brancas.
   As estrelas desapareciam.
   As casas, as moiteas: impregnadas
   não de sereno, de luar.
   Caminhávamos interminavelmente, sem ofego,
   sem pressa.
   Caminhávamos através da lua.
   E éramos dois seres habituais e dois fantasmas
   ao mesmo tempo.
   Lá longe era o mundo
   àquela hora coberto de sol.
   Mas haveria sol?
   Boiávamos em luar. O céu,
   uma difusa claridade. A terra,
   menos que o reflexo dessa claridade.
   Tão claros! Tão calmos!
   Estávamos mortos e não sabíamos,
   sepultados, andando, nas criptas do luar.

Carlos Drummond de Andrade
 

 

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